27 Dezembro 2008

::new year, oh, come on!::


...e quando o relógio marcar meia-noite no dia 31, eu espero estar de mãos dadas com meus amores, mesmo que pra isso precise ser polvo, para que todos eles caibam em minhas mãos. E espero, ah! como espero, que lágrimas de emoção pelas conquistas deste ano que passou não se sintam tímidas em rolar, e que me levem ao encontro com as águas tão profundas de Iemanjá, e que ali, em contato com este universo místico e indecifrável, eu me torne tão mística e indecifrável quanto as palavras que postei por aqui nestes últimos tempos, e que seja por meio dos olhares, que prevêem proximidade, que me desvendem aqueles que optarem por fazê-lo.
...e então, quando o primeiro minuto do primeiro dia do ano surgir, que apareçam nele os sorrisos de conquistas arduas, de trabalho caloroso, de aprendizados valiosos e felizes que tive, e que em cada um possa aparecer o mesmo - e que mais que um ano de mudanças, este novo ano que chega seja, definitivamente, um ano de continuidade. De colheita, novos plantios, cuidado com aquilo que já cresceu, amor para com o que floresce.
...e eu quero estar perto da Clara, muito perto dela, num abraço sem fim de amor igualmente infindável, e quero receber dela o sopro de esperança inerente às crianças, e somente a elas, e que este sopro seja dourado que é pra não perder nenhuma partícula sequer. Quero estar com meu amor bem perto, pra que receba o último e o primeiro beijo do ano, e que este beijo simbolize a entrega real e intensa que me disponho a ter desde que nos encontramos, há quase um ano. E que a gente se renove, não apenas neste novo minuto, mas a cada minuto novo para que possamos reconhecer em nós as mudanças pertinentes ao tempo, mas que possamos sentir, em igual escala, que mudança alguma irá afetar o carinho e companheirismo que construimos continuamente, faça chuva ou faça sol.
...e de meu familiares, que possam estar o mais próximo possível, pra compartilhar a alegria da chegada do novo com a certeza de que nos manteremos cada vez mais próximos, independente das escolhas particulares e do tempo que podemos nos dedicar a cultivar a convivência. Mesmo que seja necessário, em alguns casos, chamar pra perto - que seja um chamado de amor e paz, e não de cobrança. E que todos os que estiverem fisicamente longe, que saibam que estão do lado de dentro, impossível retirar dali.
...praqueles que conheci, reconheci, me afastei ou me aproximei, desejo tudo em dobro. Fui leviana com minhas amizades mais queridas, e acredito que por serem tão queridas conseguiram disfarçar meus atos falhos. No primeiro minuto do ano, estarei muito, mas muito disposta a retomar meus tão conhecidos cuidados e festinhas em casa, só pra manter por perto todos aqueles que fazem, fizeram e ainda vão fazer parte dessa jornada deliciosa que venho chamando cada vez mais de minha vida.
FELIZ 2009! MUITO FELIZ EM 2009!

30 Novembro 2008

::Santa Catarina e a solidariedade nacional::

Deveras triste o que está acontecendo em SC. Cidadezinhas inteiras destruídas, milhares de pessoas desabrigadas, sem lar, sem comida, sem suas roupas, com a integridade ameaçada por causas naturais. É certo que fomos nós, as pessoas, que contribuimos diretamente pro tal do aquecimento global e que mal perdemos por esperar pelo que vem por aí quando se trata da mãe natureza. Imprevisível, como quase todas as mães, ainda mais quando maltratada... Não curto muito a Globo, mas vi ontem o prêmio de publicidade deles e tinha um institucional muito incrível que vale a visita - e o prêmio que ganhou.

Mas este texto é pra destacar o - único, talvez - ponto positivo desta crise toda. A solidariedade de todo o povo brasileiro, que acaba tendo notoriedade em momentos de calamidade pública. Mas caso você ainda não saiba, a solidariedade se apresenta em diversas formas durante o ano todo em alguns lugares, e é sobre isso que eu quero falar - porque é Dezembro, logo Natal, logo época de todo mundo fazer aquele balanço anual e há de ter coisas muito boas por aí.

E tem. A tia Marta, querida arquiteta do coração, vive mandando e-mails de amigas, conhecidas e gente que recolhe, acolhe e encaminha animais pra adoção - e isso é tão bonito, mas tão bonito, que a gent nem percebe que essas pessoas fazem o bem de coração sempre, o ano todo. Então, se quiser adotar um cãozinho lindo, fofo, e praticar o bem recebendo e doando amor, clica aqui ou manda via comentário o e-mail pra receber informações e fotos dos pequerruchos.

O Hélvio e a Leila, com a família toda gostosa deles, também fazem o bem há tanto tempo que eu nem sei quanto, por intermédio da religiosidade. Recebem na casa deles um tanto de gente desconhecida que acaba virando amigo, família mesmo, pra orientar, cuidar, trocar energia e bons papos. O Hélvio ficou doente, e esse tanto de gente que se reunia na casa dele pra receber inverteu a operação e começou a ir pra doar, fazendo orações e tendo cuidados e atenção tão bonitos de se ver que eu me envergonho, particularmente, de ser tão enrolada e deixado meu espaço vazio por lá - mesmo que pense positivamente e ore todos os dias pela saúde e força de todos, reconheço que poderia ter feito mais... momento chato, esse meu, de ficar no casulo.

Tem um pessoal aqui no prédio que está recolhendo coisas pra mandar pra Santa Catarina, por intermédio da Cruz Vermelha, e isso é também muito bacana de se ver em tempos de crise. Mesmo que todo mundo esteja sem dinheiro pra isso, sem gás praquilo, a portaria está lotada de doações de gente que se importa com o outro sem restrições e quer ajudar. Vale lembrar que nem sempre somos solidários com nossos próprios vizinhos, e isso é um tema que um dia terei suporte pra abordar, mas que nestas horas de caos fica nítida a sensação de que as pessoas são do bem, de maneira geral, e querem, sim, ajudar às outras.

E daí que é uma felicidade grande escrever sobre isso num momento pessoal de reclusão, de desemprego, de me virar como posso e mesmo assim me sentir meio que mal por reclamar da vida que tenho enquanto há bichinhos, pessoas, famílias e toda sorte de espécies do mundo em situação muito, mas muito pior que a minha por aqui e por ali, e atesto mais uma vez: escrever é um santo remédio pra observar. Pratique.

24 Novembro 2008

::Não, e não, ponto final - simples pra quem?::

"...e onde estão as fadas quando a gente mais precisa delas?..."

Meu guia de vida vendido nas bancas, a Revista Vida Simples, traz este mês um tema já abordado pela banca vermelha - alô, sou tendência! - e discutido a duras penas por todo e qualquer ser humano, seja exterior ou interiormente. Afinal, quem nunca teve dúvidas pra dizer NÃO que atire a primeira pedra... mas lá, pro outro lado, que eu não quero me machucar (o que tenho já basta).

Dizer não requer prática, consciência, sabedoria quase que ancestral - afinal de contas, palavrinha que estabelece limites jamais passa assim, batido. O não em sua infinita finitude traz pontos. Pingos nos is. E isso tem importado deveras por aqui.

Neste final de semana passei por diversas situações as quais o não teve de se fazer presente. As mais importantes foram relacionadas ao meu amor maior, a pequena Clara. Ai, como é difícil manter o não pra uma menina de nove anos que questiona até o que me parece óbvio: meu amor por ela. E não é drama - Clara vive um momento de "tenho certeza que você me ama, mas as pessoas mudam e me dá um medo de você me largar...". Sim, Clarinha. As pessoas mudam. Tantas e tantas vezes é muito chato ser mãe, dá vontade de tirar férias e ficar sozinha, cuidando de mim mesma e fazendo somente isso. Mas não, Clarinha, não existe, nesta nossa configuração de mãe-e-filha, realizar qualquer mudança na vida que não te inclua com os privilégios de amor-maior e cuidados da vida real, seja com o que a gente vive e/ou com o que a gente imagina.

Reconheço que entrei numa força tarefa das mais brutais nos útlimos tempos, uma correria ensandecida pra chegar perto de quem eu sou e do que quero ser, e aí está um dos pepinos mais amargos do dia a dia. Mudar interfere em todas as relações. Mas como avisar a quem se relaciona que, olha, vai passar, é um processo, tenha calma que tudo vai dar certo, e vai mesmo, porque estou fixando bem as raízes na terra, regando muito cuidadosamente e apesar do turbilhão está tudo tão coerente que não tem como me desviar deste plano... tarefa complexa. Mas mãe que é mãe segue adiante.

Falar não pra Clara é algo que desperta em mim um cuidado maior. Pra ela, este algo se transofrma em desamor. Pane geral no sistema. Minha cabeça gira, o coração aperta, e mal sei por onde começar a reformular ciclos de aviso que a situação está sob controle. O não ajuda muito. Mas... mas... é preciso um exercício enorme de assertividade pra não temer o que segue o não. Uma vez falado com todo amor que há nesta vida, conhecedor de cuidados e limites, tanto os meus quanto os da grande vida da minha vida.

E neste abraço eu nos conforto, que quando eu te encontro me encontro, e quando me encontro a vida se faz vivida.

17 Novembro 2008

::reciclando::

A Folha de S. Paulo fez uma matéria sobre reaproveitamento de peças em decoração. Adoro o tema. Decoração é algo que não me sai da cabeça. Reaproveitar é palavra de uso constante neste momento de descobertas e novas utilizações para mais, muito mais, que os móveis que ocupam a casa.

Minha mãe foi citada, a casa fotografada e a arquiteta querida do nosso coração deu palpite. E lá estão os móveis mais legais do mundo: o baú gigante, a máquina de costura antiga, o sofá de mil anos atrás. Aqui em casa aprendemos a guardar. Verdade que guardamos muitas coisas, tantas que nem sabemos mais o real motivo de estarem por aqui, e a limpeza na hora da mudança faz o coração doer deveras - jogar fora pra caber o novo é um conceito moderno, atual e necessário, mas te obriga a ter certo desapego para com o que é antigo e, ao meu ver, carregado de história.

A máquina de costura, por exemplo. Eu amo essa máquina. Há pouco tempo, resolvi bancar a costureira, já que o tempo de desemprego pode - e deve! - ser usado pra explorar outras aptidões que não a insanidade de enviar centenas de CV´s e ficar torcendo pra receber uma ligação pra entrevista, outra pra contratação. 25 de Março com a sogra, tecidos e enchimentos depois, estava eu telefonando pra quase todas as casas de máquinas antigas de São Paulo atrás do courinho que faz a roca girar, do óleo que daria a elasticidade necessária e buscando online o manual de configuração das agulhas. Óbvio que tudo muito caro, por ser raro. Compensou pedir a moderna Singer - EU QUERO, o aniversário está chegando!!! - da tia Regininha emprestada, viciar nela, e começar, enfim, minha vereda no mundo dos pontos. A inspiração toda, no entanto, estava naquela máquina preta com rosas amarelas e vermelhas em decalque, aberta pra lembrar que a avó de minha avó muito provavelmente fazia alta costura por ali, e evitava gastar os tubos nas grandes marés de consumo. Tá triste? Que shopping, que nada, a bisa costura uma coisinha linda e exclusiva pra você.

As almofadas ficaram lindas! Coloridas, grandes pro meu quarto, várias pequenas pro quarto da Clara. Realça a cabeceira da minha cama... que diga-se de passagem, é feita com um pedação de madeira revestido por uma colcha velha, já comida pelo Bibo - não diga? - pregada com tachinhas num trabalho que me custou apenas uma reclamação de vizinho por barulho depois das dez. No "quase tudo" aqui da esquina, comprei ganchinhos, preguinhos, e eu e o Val colocamos o ilustre no devido lugar. Lindo, e ecologicamente correto. Tosco, no âmago do significado da palavra.

Acho que o que mais me chamou atenção foi o fato de efetivamente ter algo em mim que combina mais que de modo perfeito com o lugar onde vivo: reciclar faz parte de mim antes mesmo de virar moda. Usei cadeira como criado-mudo muito antes da Casa Cláudia incitar o novo uso do velho objeto. Achei os óculos da vovó incríveis antes de Marc Jacobs redesenhar algo que cobrisse muito além dos olhos, preservando a dignidade de quem quer ver e não ser tão visto assim. Sou tendência. E estou incluída.

Ainda em processo de restruturação interna, começo a utilizar temas públicos para falar do privado. Um tipo de metáfora mais sofisiticado, por assim dizer. Exatamente como o que eu quero ser logo menos, quando os is encontrarem seus pingos. O blog, claro, não pode ficar de fora desta mudança convergente. Links nos posts - como se isso fosse novidade pro mundo..., fotografias e imagens, pedidos de opinião, convocação para fóruns, paixões e desejos serão cada vez mais abordados por aqui, na minha feira que tem de tudo um pouco, mas não perde o jeitinho morango de ser.

13 Novembro 2008

Releitura - um texto longo, by the way.

Capítulo Um
Conheci Silvania numa entrevista de trabalho. Cercada por ela e mais duas pessoas, fui questionada sobre pretensão salarial, metas de trabalho e aspirações pessoais. Respostas quase padrão, por padrão ser algo que eu definitivamente não quero na vida, e um beijo, tchau, te daremos a resposta até sexta. Esta sexta, sem falta, acreditamos na comunicação, ora, por isso somos uma empresa que trabalha com ela.

Mas o que Silvania não sabe é que me ensinou algo de extrema importância. Um algo que tem se feito presente em algumas horas, mas que ficou tão claro naquele momento que quase levantei e disse: - Olha, obrigada, mas acho que já obtive o que vim buscar aqui. Entretanto, como espero ser mesmo contratada praquele novo lugar, me contentei em explodir de felicidade no meu finito interior. Silvania me escuta falar sobre minha última paixão, o marketing de guerrilha. Vê o brilho nos meus olhos, e como mulher experiente, vivida, vívida inclusive, com aqueles olhos de brilho também intenso, e rapidamente fala: - Aqui temos a novidade. Não estaria você procurando pelo surpreendente?

Hum... Silvania, o que há de tão diferente entre o novo e o que surpreende? Mas Silvania não responde. Obviamente ela não responde, já que esta parte do diálogo pertence única e exclusivamente ao meu cérebro a esta altura do campeonato. Hum... sabia que me serviria pra alguma coisa. Sabia, sinceramente, mas não esperava que fosse pra tanto. Vamos lá: há três anos, mais ou menos isso, eu e a Gabriela, aquela de quem sinto tamanha falta que não cabe em palavras, e acho que nem caberia num abraço apertado de reencontro, de tanto que sinto, estávamos combinando de fazer uma tatuagem juntas. Queríamos algo único, só nosso, que lembrasse a todo instante o que era uma pra outra, outra pra uma. E, servindo pra alguma coisa na vida, uma de minhas tantas paixões foi molde: as Sutilezas Intensas, em meus não tão expoentes ossinhos da saboneteira, e as Intensas Sutilezas, na cintura cheia de gostosura dela.

Voltando ao diálogo interior finitamente mais confuso. Está aqui, na pele, e nem preciso de espelho pra ver, e ler. Algumas pessoas franzem a testa pra decifrar este meu escrito, e fazem que ah, sim, claro, entendi. Mas eu não. Sei bem o que ela quer dizer. E hoje mais uma vez, me toco de que as minhas respostas estão tão anotadas em mim que sometimes I forgot to see them. Sutilezas Intensas. É esta a diferença entre o novo e o surpreendente.

- Não, Silvania. Estou procurando pelo novo em minha vida profissional. Deixo o surpreendente, puxa! como é que você percebeu?, que me encanta deveras, pra minha vida pessoal.

E enxergo com olhos de cigana oblíqua e dissimulada, by Capitu, que yes! I can! - separo minha vida em gomos e viro mexerica nos instantes de lidar com resoluções, e tudo fica mais simples que o tal sedutor e enigmático morango. Apenas por instantes. E só.


Capítulo Dois
- Me desculpa?

- Pelo quê?

A pergunta em cima da pergunta faz parte do meu amor, que quase nunca responde clara e diretamente ao que lhe é questionado. Curiosidade, tempo pra pensar, característica pessoal e intransferível - já pensei muitas vezes sobre o que faz com que ele faça isso, e me contento em dizer que não cheguei a lugar algum e voltei a pensar em mim.

- Hum... me desculpa por você estar se sentindo assim.

Wrong. So wrong.

Recorro às origens: desculpa a gente pede quando faz algo errado, certo? Sim, certo. Faço coisas erradas, claro, muitas, diga-se de passagem. Mas, repita comigo, em frente ao espelho, repita com veemência: (as vezes) a culpa não é minha!!!

- Sinto muito por você estar se sentindo assim.

Melhor, bem melhor. Mais sincero, coerente. Coerência começa a fazer parte de forma presente, intensa, mas nada sutil. E quero o mesmo.


Capítulo Três
A mudança. Mania, sim. Mania de jogar fora e querer ser eu. Opa! Pra que jogar fora se posso adaptar, transformar, ou continuar a fazer por acreditar e achar bom?


O passado me pertence tanto quanto meu presente, e também é o que quero ser quando crescer. Reviro fotos. revivo fatos, mesmo que de outras maneiras. Visito, em pensamento, lugares aos quais pertenci e onde senti. Passeio por entre as dores e alegrias das escolhas, e revejo que excluí algumas pelo simples fato de querer mudar. Joguei fora este momento? Ups... I did it again! Não quero mais.

Resgato esta e aquela história e me sinto tão mais perto do que sou. As marcas na pele servem pra lembrar. As da alma servem pra aprender. Não jogo mais nada fora, aprendo a neutralizar, guardar em gavetinhas seguras, devidamente trancadas - mas não jogo mais as chaves no mar. Iemanjá há de ter seus próprios problemas insolúveis.

Equilibrar e escolher um melhor final, ou dar continuidade direcionada pra onde vou chegar. Só assim pra conseguir...

Grávida aos dezoito. Minha barriga chama tanta atenção quanto o biquíni cor de rosa tie die(nossa, já gostei disso?), o olhar questiona o mundo ao redor, e encontro abrigo nos braços muito maiores que os meus. Sensação dúbia, mas extremamente prazerosa. Grávida e sozinha. Hum... grávida e acompanhada de outras pessoas que não o pai do bebê. Melhor, bem melhor.

Casei, separei e fui em busca da minha felicidade. Ah, mas ele não... ele não... ele não... Hum... eu não. Eu não queria mais aquela relação. Eu não me queria mais daquele jeito, naquela forma. Eu não acertei, ainda bem que o convencional nunca fez parte e pude partir sem explicar muito pra quem quer que seja. Mas eu... eu sei. Ah, eu sei o real motivo de me permitir partir, e me sinto segura ao sorrir e dizer que estou feliz - e que continuo querendo me casar, ter uma família pra chamar de minha, outro(s) filho(s), ficar velhinha junto, aprender e discutir, viver a vida ao lado, acompanhada, de conchinha, de mãos dadas e trocando beijos e declarações de amor.

E não é que eu já fui a rainha do baile? Já dancei muito, por horas a fio, me deleitando de prazer com a música. Mode rebolator = ON, muito ON, e me fazia feliz. Onde é que eu deixei a deliciosa prática da dança na vida? Por que, santo, deixei de dançar? Buscando... buscando... acha logo essa parte, oras...



Ovelha negra. É bonitinha, diferentinha, mas faz e quer de tudo tal e qual as outras ovelhas da manada. Não deixa de pertencer ao rebanho, mas se torna negra quando questiona o que as outras aceitam pura e friamente, se torna escura quando opta em desacordo com o grupo porque a faz feliz. Hum... tá bem, então.



::Os quase trinta, escritos assim, em três capítulos, não soam tão mal::

05 Novembro 2008

::Let´s talk about him::

...pra mim, o tal "american dream" e a política são desconhecidos... mas de uma coisa eu sei: quando a maior potência financeira mundial aceita o realmente NOVO, há de ser um tempo de real mudança.

Ao eleger seu primeiro presidente negro, os EUA não apenas abrem a mente e aceitam que sim, a hora é esta e a juventude está de olho no poder. Não de modo pejorativo, mas querendo saber quem vai mandar no que vai acontecer no país, quiçá no mundo, nos próximos tempos. Não duvido que foi esta a geração que garantiu com larga escala de folga a vitória de Obama, visto que no início da campanha o jovem - e extremamente bonito - senhor presidente dos Estados Unidos da América era um ilustre desconhecido. Jovens declararam que "ele pensa como nós, tem as mesmas visões e aspirações que esta geração"... ao vivo, na TV.

É certo que as escolhas erradas da oposição de Obama - a vice-maluquete, a idade do candidato, as propostas que mais parecem prepotência que potência e tanto mais que desconheço - ajudaram a vitória do black power. Sim, pode me chamar de alienada, mas imagino que este seja um movimento bem parecido ao power to the people: o voto nos EUA não é obrigatório, o povo efetivamente exerce a democracia e opta por votar ou não e, na minha opinião, aí está o que de mais válido existe nos momentos de decisão - a opção que faz toda a diferença.

O mundo está preparado para o primeiro presidente negro dos Estados Unidos? Ao meu ver, considerar que ele é "apenas" o primeiro presidente negro da mega-nação é pequeno. Obama sabe. E sabe muito. Sabe falar, se colocar, sabe sorrir, chorar e conversar com quem e quando quiser. Sabe permitir que fãs se declarem via You Tube - o vídeo "I have a crush on Obama" é divertidíssimo, e faz campanha deliberadamente "mal vista" para os mais conservadores... mas funciona. Ele tem fãs e eleitores. Ótima soma de pessoas. O marketing empregado na campanha, voltado para todos e presente inclusive na final do super bowl, foi uma das mais brilhantes ações combinatórias de RP e guerrilha dos últimos tempos - até sticker hypado por artista mudéRRRno foi usado pra divulgar a figura simpática do atual Mr. President.

Enfim... falar de política definitivamente não é meu forte. Mas quando um país do tamanho daquele, com uma cabecinha daquelas, começa a pensar diferente,acaba refletindo no mundo todo... e, se até os Estados Unidos da América aceitam a mudança como necessidade para transformar e crescer, acho que é hora de uma breve pausa pra respirar.

"Yes, we can!" - hey-ho, Obama!

02 Novembro 2008

Mantras. Repita: mantras.

Não necessariamente no plural. Posso ir por partes. Sim, posso. Uau, como é gostoso me permitir usar esta palavra. Vou até colocar na pessoa certa do singular: eu posso ir por partes.

E não que eu tenha escolhido logo esta parte, mas é a tal "parte que me toca", e toca no que existe de mais íntimo, de mais "geminha" possível. Certo, comecei o ano com a meta oblíqua de resolver pendências, por mais dolorosas que fossem e sejam, e de certo marquei diversos pontos neste sentido. Alguns outros, essenciais que são, ainda estão em estado de alerta - o tempo, senhor de tantas razões, vai me levar a resolver estes também.

Mas eis que chega o momento de encarar o espelho. Ui. Medo. Muito medo do velho hábito desta parte. Me ver e recitar o mantra da mudança, tão curto, simples e pontual parece, à primeira vista, coisa corriqueira e dever acerca da inerente responsabilidade de cuidar do que é meu. E nada é mais meu que eu mesma, e acredito que tão somente eu seja parte do que é meu, num contexto terreno e carnal, vale explicar. Mas... ah! este mas... dá tanto tempo pra pensar em tanta coisa que penso em abolir do vocabulário presente e só voltar a usar quando souber fazer bom uso deste tempo que ele me dá. Então, sigo. Vamos lá... Mariana, repita comigo o tal mantra da mudança. Agora. Faça. Imperatividade há de funcionar... não, não, sem reticências no momento, pontue. Pontue corretamente e diga o mantra. O repita a cada olhar no espelho, mesmo que te sirva só pra arrumar o cabelo em fase de crescimento, o que tem atormentado um tanto - quase tão indomável quanto o tempo hábil pra pensar em tanta coisa que a palavra "mas" proporciona.

Vá. Fale. Repita. Incansável e solenemente, repita: é agora, e não depois. Comece. Não vai doer. Te prometo, não vai doer nem um milésimo se comparado ao que você sente desde sempre - opte por repetir o mantra e mude. Opte, Mariana.

Devaneios em diálogos comigo mesma, isto funciona. O texto mal acaba e já fui até o espelho repetir. Ora, são três palavras apenas. Simples, curto, vai funcionar. Sorria enquanto repete. Faça de si o que quer ser neste e em todos os momentos. Simples e feliz. Pronto. Ser feliz.

Estou feliz. E isso é bom.